30/10/05

Uma breve ausência...


Vão-me desculpar os visitantes habituais, mas está na hora de fazer uma (pequena) pausa. Não sei quando voltarei, mas prometo voltar com outras "mixadas"!
Tudo isto devido a problemas de ordem pessoal, daquelas coisas de acesso à internet e afins...
Isto vai também afectar as minhas visitas regulares aos vossos blogs... Quando eu estiver novamente operacional, aviso-vos nos vossos cantinhos ;)

Considerem isto como as minhas férias atrasadas,
Até uma próxima!

28/10/05

Main Title Credits

TITLE DESIGN
O genérico de abertura - opening credits - pode ser o momento mais importante num filme. Para além de trailers e elementos de marketing, são as primeiras imagens que um espectador vê quando as luzes se apagam. Os genéricos são por muitas vezes a última coisa na mente de um realizador, e para os produtores são geralmente algo a fazer o mais barato possível. Enquanto que a pós-produção custa cada vez menos no orçamento, a tecnologia necessitou produzir estas sequências cada vez mais acessíveis e generalistas. Uma segunda vaga de designer começaram a emergir. Nesta categoria há dois nomes incontornáveis a não esquecer: Saul Bass (a referência do passado) e Kyle Cooper (o génio da actualidade).

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Primeiro de tudo, alguns exemplos de memoráveis e clássicas sequências de créditos iniciais:

Série James Bond
Não me façam falar nestes clássicos... Maurice Binder, a mente por detrás da grande maioria dos genéricos de 007 foram muito criativos e coloridos no início, mas com a mudança para Daniel Kleinman logo evoluíram para o digital, acompanhando as novas tendências digitais. Desde "Dr. No" a "Die another day", é ver com os próprios olhos, é ver para crer... Espantoso! Descubram tudo AQUI.


Star Wars
Quem não conhece esta famosíssima abertura? A frase "A long time ago..." seguido do Título colossal e épico STAR WARS. Pouco depois, o prólogo atravessa todo o ecrã até desaparecer na escuridão do espaço, para depois centrar a acção numa nave que se aproxima. Revolucionou o modo de abrir um filme, antigamente com os clássicos e obrigatórios créditos iniciais de toda a equipa técnica...

The Pink Panther
Da "DePatie-Freleng Enterprises", o genérico colorido acompanhado pela famosíssima melodia de Henry Mancini até gerou uma série com a própria pantera animada. Muita da futura animação passou por aqui...

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Sem ordem de preferência, aqui vão alguns dos mais interessantes:

Casino

Com Saul Bass ao lado de Martin Scorcese, regularmente parceiros neste tipo de trabalho, criaram um espectáculo visual: de Niro entra no carro, este explode com ele no seu interior e as luzes de Las Vegas fundem-se com o corpo à deriva pelos ares. Podem ver toda a sequência fotográfica AQUI!

Enemy of the state
Qual vídeo experimental, onde duas imagens não dariam para ilustrar a sequência.A videovigilância como Big Brother aéreo é o tema de abertura, uma amostra das possibilidades das agências governamentais do filme em questão. Um “COPS” à MTV tipo videoclip, que iniciou aqui o estatuto de Tony Scott como estilista visual: O tratamento da imagem com tons monocromáticos e clips retalhados.
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Catch me if you can
Design muito retro, homenageando os clássicos de Saul Bass e relembrando os da Pantera cor de rosa. Criado pelos franceses Olivier Kuntzel & Florence Deygas, com uma proposta de Spielberg: A de mostrar em animação um jogo do gato e do rato.

Road to ElDorado
Explosão cromática. A reexploração fantasista da animação sixties. Por vezes faz lembrar o estilo de “Yellow Submarine” dos Beatles, com alguma ajuda do 3D pelo meio...


Panic Room
Vários planos de New York com o lettering integrado na cidade. Gerados em 3D com um realismo impressionante, os pontos de fuga, perspectivas e efeitos de luminosidade que provocam entre os edifícios são de uma beleza e simplicidade extrema.


Conspiracy Theory
Fiquem (muito) atentos ao genérico: É que passa tão despercebido e é tão discreto durante a abertura que acaba por resultar muito bem, quando integrado no filme. Os créditos aparecem em forma de sombras, reflexos e jogos de luzes.

Monty Python
Criados por Terry Gilliam, há actualmente uma reutilização deste estilo de animação no genérico da famosa série "Desperate Housewives".
Delicatessen
A ideia de usar objectos (ou símbolos) ligados a cada área/profissão dos creditados, tornou-o diferente dos demais. Jeunet repetiu a experiência em "Fabuloso destino de Amélie".
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Actualmente a presença mais poderosa e criativa dá pelo nome de Imaginary Forces, gerida por Kyle Cooper, a mente por detrás de títulos como True Lies, Mission: Impossible, Eraser, Twister, The Mummy, entre muitos outros... Os créditos iniciais que se seguem saíram dos "dedinhos" desta malta:

Seven
Este já um clássico, inspirou muitos outros do mesmo estilo. Kyle Cooper ergueu um design largamente seguido posteriormente. Este Title Design de Seven foi já chamado de “obra-prima de demência” onde o visual sombrio, psicótico e macabro cria uma sequência de antologia para a história do cinema.

Vejam AQUI!

Mimic

O “irmão” de Seven, demonstrou mais uma vezas potencialidades do novo método de Kyle Cooper, com estilismo “sujo” e imagens retalhadas que compõem o vídeo. A partir daqui todos o quiseram imitar...


Dead man on campus

Manual em formato exame escolar de como matar/suicidar alguém. Tão divertido como perigoso, este esquema utiliza várias simbologias dos testes académicos para demonstrar tais tendências cruéis.

Vejam AQUI!

Bedazzled
Introdução cómica, em que um “olho vivo”, qual Big Brother, caracteriza prontamente com análise-relâmpago cada indivíduo que por ali passa. Foi um daqueles genéricos que tive de rever por várias vezes, sem que com isso perdesse interesse.

Vejam AQUI!

Daredevil
Inteligente efeito o de usar as luzes dos edifícios transformando-as em linguagem braille, para depois formar os caracteres creditados. Simples e objectivo.

Vejam AQUI!

25/10/05

Copy/Paste

<<Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma...>> LAVOISIER



1984, o ano dos olhos vermelhos?

Terminator (1984)


Rats: Night of Terror (1984)


Ghostbusters (1984)


Village of the Damned (1995)

O John Carpenter chegou 11 anos atrasado...

18/10/05

Surpresas criativas - parte 2

Regresso aos filmes (ainda) mais experimentais, curiosos e originais.
Outros para acrescentar ao rol de filmes alternativos e para dar uma vista de olhos:

Dogville
Filme de Lars Von trier com Nicole Kidman. Utilisa todo o cenário como simbologia de uma sociedade e uma povoação do interior dos Estados Unidos. O chão é delimitado com tinta, como se de paredes se tratasse e há algumas mobílias e acessórios que reforçam o significado do local.


Branca de Neve
Não gosto do realizador, não gosto do estilo e não gosto da obra. Mas tenho de admitir que este filme é uma coisa curiosa... João César Monteiro, figura polémica e artista reconhecido lá por fora fez este "filme" que toda a gente conhece ou ouviu falar. Mas continuo a achar que o devia ter feito para festivais de curtas-metragens em vez de circuito comercial e com fundos estatais...


Evita
O cinema cantado. Todos os diálogos do filme são entoados com melodias, por vezes cansativas e enjoativas. Negatividades à parte, é o grande exemplo de "musical-total" e Madonna até se safou ao lado de Banderas. Tommy de 1975, tinha inaugurado essa especialidade onde até os franceses lhe provaram o gosto em "On connait la chanson".


A corda
A intenção de realizar um filme inteiro como plano-sequência único, apenas manipulado em situações-chave com cortes quase imperceptíveis devido ao limite de filmagem das bobines de 12 minutos, mas ainda assim não interrompe a ligação narrativa e visual do plano. Mais recentemente, Aleksandr Sokurov com "Russian Ark" procedeu ao extraordinário feito de conceber o filme inteiro num único plano-sequência, sem recorrer a qualquer corte durante 96 minutos... Quase como o teatro audiovisual, onde a única limitação é a da criatividade.


Empire/Sleep
Na linha de filme-sem-parar, há estes filmes experimentalíssimos de Andy Warhol. O Empire resume-se a isto: Durante 485 minutos, um plano estático do emblemático edifício de New York durante um dia. Zzzzzzzzz... O filme é para dormir? Vejam então o outro, Sleep, onde é a mesma ideia, mas com um indivíduo a dormir num filme de 321 minutos. Não estou a aconselhar ninguém a vê-los, mas vale a pena ter conhecimento destas obras!


Interstella 5555:
Um filme de animação cujas imagens ilustram a música integral de um disco: Uma história de Ficção-científica ao som do 2º álbum dos Daft Punk. Criado como um gigantesco videoclip sem perder a sua integridade narrativa. Um mais antigo e do mesmo estilo é The Wall de Alan Parker.

15/10/05

Planos impossíveis

Mestria de realizador, perfeição de cinematografia, ideia arrojada passada em imagens. São os "Impossible shots"

Nos dias que correm já é muito fácil criar planos deste tipo, para isso basta recorrer ao CGI. Mas a criatividade e a capacidade de surpreender o espectador não está ao alcance de todos...

CONTACT
A câmara acompanha a sua aproximação ao espelho em travelling, quando num golpe de magia o espectador percebe que o que vê é apenas o reflexo da imagem real. Nessa altura, é como se atravessássemos o espelho.


PANIC ROOM
Um movimento sinuoso da câmara desde o terceiro andar onde se encontra Jodie Foster a dormir no quarto, descendo por aí abaixo e na cozinha penetrar em tudo o que uma câmara dita "normal" não pode entrar: Pela fechadura, uma asa de cafeteira, entre balcões e espaços exíguos, tudo isto num único plano contínuo. Escusado será dizer que para conseguir este (belíssimo) efeito recorreram ao CGI, ao criar todo o cenário em digital.


WHAT LIES BENEATH
Zemeckis é um chico-esperto em planos deste tipo de complexidade. Aqui usou o próprio chão para confundir o espectador: Quando Michelle Pfeiffer se debruça no chão para apanhar um conjunto de chaves, o ponto de vista é... Por baixo do próprio soalho! Um solo invisível, transparente como se fosse vidro.


POLAR EXPRESS
Zemeckis tomou-lhe o gosto e repetiu a piada. Neste caso, tal como no anterior, a folha do livro passa a ser "de vidro". Visto contrapicado, as palavras escritas flutuam no ar, entre a câmara e os olhos do miúdo (Neste mesmo filme, o chão invisível também aparece).


SECRET WINDOW
David Koepp já escreveu argumentos para filmes de Fincher e Zemeckis, um deles sendo o próprio Panic Room acima referido, logo aprendeu algumas lições com os artistas. Na sua primeira longa metragem (bem fraquinha por sinal) pôs em prática os conhecimentos adquiridos e criou uma sequência de abertura com o efeito de Panic Room e o de Contacto num só: Enquanto que a câmara vem do exterior para o interior da casa, passando pelo escritório, descendo as escadas em direcção ao espelho onde está reflectido Johnny Depp e entrar para o outro lado do reflexo. Uma revisão do género...


MATRIX
Aqui o efeito é bastante simples: De um conjunto de monitores que mostram o que as câmaras de vigilância gravam, a visão cinematográfica entra para dentro da própria televisão, circundando depois pelo cenário todo em redor de Neo, aka Mr Anderson.

12/10/05

ANTECIPAÇÃO: Primer

PRIMER:
O filme que espero e desespero desde Abril...
Mas afinal cá em Portugal este filme já saiu, está para estrear, ou nem sequer vai para cinema e é directamente enviado para DVD??
Foi um vencedor em Sundance (Grand Jury Award) e sucessivamente adiado nos States, que acabou por estrear por lá em Abril. Uma história de ficção-científica minimalista (como gosto de lhe chamar) que pretende contar as viagens no tempo de um modo científico e credível.

Vejam o trailer aqui!