26/11/07

A Besta

"Filmes Portugueses JAMAIS realizados"

Aqui visada a ausência para valorizar projectos ambiciosos no cinema português. Uma análise de como poderia ser apoiado tanto pela visão espectacularmente exagerada do realizador, como na nossa realidade acaba por ser cepticamente avaliada como improduzível em géneros nunca explorados no nosso cinema. Apoiando-se bastante em géneros históricos, épicos e grandes orçamentos, filmes nunca feitos, nunca produzidos e até talvez mesmo delírios que nunca ninguém se atreveu levar avante... Transformando o nosso "cinema" numa espécie de blockbuster tuga, produto comercial e de entertenimento.


Storyline
Um incêndio de grandes proporções devasta milhares de hectares de floresta antes de ameaçar uma área urbana nas proximidades. Inúmeras equipas de bombeiros de todo o país juntam-se para eliminar o perigo.

Orçamento

Num projecto provavelmente muito dispendioso, surpreendeu pelos apenas 25 milhões de euros que foram necessários para criar em estúdio todo o cenário necessário para captar a acção "close-up". Os exteriores e planos gerais foram filmados em locais reais manipulados digitalmente. Ah e uma equipa inglesa de SFX fez-nos um bom preço...

Recepção do Público (Boxoffice)
830 mil espectadores viram nas telas de cinema, no ponto de vista de uma ficção, aquilo que vêem todos os anos pelo verão através da televisão. Foi o suficiente para atrair o olhar voyeur de desgraça que "nós" sempre temos no dia-a-dia.


Recepção da crítica
A carga dramática que se adensa na narrativa foi um trunfo para agarrar alguns dos críticos mais sentimentalistas. Para os de barba rija, o portento visual espectacular foi decisivo para o aclamar como uma obra sem igual no historial do cinema luso. Conseguiu atrair a crítica estrangeira graças a uma óptima campanha nos festivais internacionais.


Momento do filme
A calamidade provocada pelas dimensões que o fogo atingiu está ao rubro na vila mais próxima da floresta. O ambiente caótico com mulheres a gritar, crianças a chorar, habitações carbonizadas. Quando a gasolineira acaba por explodir numa bola de fogo em directo para as televisões com helicópteros nas redondezas, acabamos por nos dar conta de que aquilo é um verdadeiro cenário de guerra.

17/11/07

POST-MORTEM

"Filmes Portugueses JAMAIS realizados"

Aqui visada a ausência para valorizar projectos ambiciosos no cinema português. Uma análise de como poderia ser apoiado tanto pela visão espectacularmente exagerada do realizador, como na nossa realidade acaba por ser cepticamente avaliada como improduzível em géneros nunca explorados no nosso cinema. Apoiando-se bastante em géneros históricos, épicos e grandes orçamentos, filmes nunca feitos, nunca produzidos e até talvez mesmo delírios que nunca ninguém se atreveu levar avante... Transformando o nosso "cinema" numa espécie de blockbuster tuga, produto comercial e de entertenimento.


Storyline
Um serial-killer aterroriza a Grande Lisboa, deixando um rasto de sangue entre as vítimas previamente escolhidas pelo psicopata. Cada uma das vítimas é sempre morta em público, quer seja à distância de um tiro, como de modo mais pessoal, na ponta da navalha. O elemento-chave para escolher as pobres almas é o ponto crucial para um twist final de arromba.


Orçamento
1 milhão de euros gastos graças ao digital HD, opção cada vez mais usada pelos cineastas portugueses. Utilização de cenários e locais reais e um reduzido número de actores e figuração manteve os valores abaixo dos limites impostos pelos produtores.


Recepção do Público (Boxoffice)
80 mil espectadores.
O azar (ou má estratégia?) de estrear na mesma semana que o novo filme de Spielberg fez com que a adesão do público fosse muito menor ao esperado. Mesmo assim, o filme aguentou-se bastante bem para um filme designado para maiores de 18 anos.

Recepção da crítica
Os mais conservadores condenaram a sua extrema violência e pura dose de gore, coisa até agora nunca vista em cinema luso. Mesmo assim, a crítica especializada estrangeira deu-lhe nota positiva em thrillers de alta tensão. Foi o vencedor do Grande Prémio Fantasporto desse ano.



Momento-chave do filme
Numa rua movimentadíssima da capital, o assassino escolhe a sua vítima. Prosta-se perante ela e olhando-a olhos nos olhos, desfere-lhe o golpe a sangue frio ao mesmo tempo que a abraça. O acto é praticamente absorvido pela actuação de artistas de rua, enquanto o indivíduo vai desfalecendo. Ao abandonar o local com toda a calma, o sangue continou jorrando não sem antes deixar para trás a sua imagem de marca...

10/11/07

Norte & Sul

"Filmes Portugueses JAMAIS realizados"

Aqui visada a ausência para valorizar projectos ambiciosos no cinema português. Uma análise de como poderia ser apoiado tanto pela visão espectacularmente exagerada do realizador, como na nossa realidade acaba por ser cepticamente avaliada como improduzível em géneros nunca explorados no nosso cinema. Apoiando-se bastante em géneros históricos, épicos e grandes orçamentos, filmes nunca feitos, nunca produzidos e até talvez mesmo delírios que nunca ninguém se atreveu levar avante... Transformando o nosso "cinema" numa espécie de blockbuster tuga, produto comercial e de entertenimento.


Storyline
Portugal é encabeçado por um político tirano, corrupto e dominador que leva a que o país fique envolvido numa guerra civil, com motins a decorrer por todo o país. Acaba por haver duas fracções opostas a Norte e a Sul do país (fazendo lembrar a Guerra Civil entre os Liberais e Miguelistas do século XIX), enquanto que uma força policial tenta a todo o custo conter a onda de violência que varre a nação.


Orçamento
37 milhões de euros
Cenários exteriores totalmente destruídos, necessidade de fechar certas zonas de Lisboa, material pirotécnico aos rodos, criação de efeitos digitalmente tratados em computador para simular uma cidade reduzida a cinzas... Um orçamento-bomba tratado ao bom modo de Blockbuster americano. A vantagem é que devido ao efeito "Europa", as tabelas preciárias diminuiram drasticamente o valor final.


Recepção do Público (Boxoffice)
430 mil espectadores. O blockbuster por excelência. Quando a acção rima com diálogo e debate-consciência (um dos grandes trunfos da película) que coloca os "senhores da guerra" em pleno campo de batalha, levou os portugueses a aderirem à questão política do próprio país.


Recepção da crítica
O entertenimento aliado ao gosto da massa crítica. Discussão tremenda em blogs políticos, editoriais de jornais exclusivos ao tema do filme, reportagens televisivas a dedicarem tempo de antena... A crítica não mais largou o filme durante longos meses. O estilo cinematográfico pretendido (rodado em estilo "de guerrilha") injectou novo realismo na forma de ver o cinema em português.

Momento do filme
No clímax das exaltações, um grupo de extremistas arde a bandeira portuguesa em plena rua. Após estes massacrarem alguns inocentes, a polícia executa a coluna dianteira de motinadores para deter a fúria da multidão.

04/11/07

Mares Ocultos

"Filmes Portugueses JAMAIS realizados"
Aqui visada a ausência para valorizar projectos ambiciosos no cinema português. Uma análise de como poderia ser apoiado tanto pela visão espectacularmente exagerada do realizador, como na nossa realidade acaba por ser cepticamente avaliada como improduzível em géneros nunca explorados no nosso cinema. Apoiando-se bastante em géneros históricos, épicos e grandes orçamentos, filmes nunca feitos, nunca produzidos e até talvez mesmo delírios que nunca ninguém se atreveu levar avante... Transformando o nosso "cinema" numa espécie de blockbuster tuga, produto comercial e de entertenimento.




Storyline
Século XV, o auge do Império Português além fronteiras, onde dominava os mares desconhecidos e com grandes peripécias se ia desbravando um novo mapa cartográfico. E quando a rivalidade com Espanha vai tomando dimensões políticas, a corrida à conquista ultramarina revela-se tão perigosamente impossível para os navegadores que tentam passar para o "outro lado", a Terra Prometida das Índias e da fortuna.


Orçamento
Uma grande produção com naus em tamanho real, vestuário da época e um grande leque de actores não podia ficar barato... 40$ milhões de euros foi o preço a pagar por este colosso. Obrigatoriamente co-produzido entre europeus, com Portugal e Espanha a deterem por igual parte do "bolo". Os fundos estatais destinados à ficção cinematográfica choveram para esta película, apoiada pelo Ministério da Cultura e elogiada pelo próprio Presidente da República que fez um apelo ao Governo em ajudar a produção.


Recepção do Público (Boxoffice)
Descobrimentos portugueses. Um enorme tema por explorar no nosso contexto histórico e cultural, com um enorme marketing a empurrá-lo para o topo das tabelas, fez com que chegasse a longo prazo aos 660 mil espectadores. Distribuído para toda a Europa, relativo sucesso também em Espanha. Nos EUA passou completamente despercebido, talvez por nem sequer se falar num certo Cristóvão Colombo...


Recepção da crítica

Falado em português e espanhol, uma mais-valia para uma forte internacionalização. Foi o que defenderam os críticos, após o sucesso em terras lusas. Elogiaram o rigor histórico, a entrega total por parte dos actores a personagens complexas, a dinâmica da acção fazendo esquecer o cliché dos "filmes tugas monótonos".
Nota 20 no exame final.


Momento do filme
“Para além da linha do horizonte se erguiam ondas gigantescas de água a ferver...” O momento onírico sonhado por um marinheiro assustado cria a cena de antologia com um Adamastor em fúria, no fim-do-mundo imaginado pelas mentes ingénuas de antigamente. Uma óptima deixa para um acordar repentino antes das naus tentarem passar o Cabo das Tormentas, com o suposto "Adamastor" em forma de penhasco acabar por afundar o navio.