27/03/09

TOP Amigos Imaginários

São os reis da imaginação. Os indivíduos esquizofrénicos, com dupla personalidades, ou simplesmente malucos da cabeça. Em muitos sugerem indícios de elevada ingenuidade, gente crédula e com a cabeça na lua.
É por essas pessoas que eu me dediquei a uma lista dos melhores "amigos do peito", daqueles que por muito que se tente, o gajo do lado não consegue entender a mesma visão do que o rodeia. Amigos imaginários ou objectos personificados, eis os meus preferidos.



10. Harvey
Em 1950, James stewart faz um filme em que o seu personagem tem como melhor amigo um Coelho Gigante chamado Harvey, que mais ninguém vê. Para outros coelhos mais famosos, há um mais óbvio lá para o fim da lista... (Bugs Bunny não incluído...)


9. South Park
Mr Hat e Mr Twig de Mr. Garrison, duas marionetas que ambiguamente vão tomando parte do comportamento do professor, mais do que umas imaginárias personalidades são sobretudo perturbações mentais do professor. As entidades criadas pela esquisofrénica mente de Mr Garrison estão repletas de conotações racistas, sexuais e filosóficas.



8. Hide and Seek:
Dakota Fannings e Robert de Niro a jogar às escondidas. Com um estranho. Irreal para ele, perigoso para ela. Afinal de contas, o amigo imaginário era bem real... A personalidade, essa já não seria a mesma...



7. Bogus:
O calmeirão Gerard Depardieu é meigo, gentil e compreensivo. odos os miúdos tiveram a sua tara, alguns tiveram o mesmo tipo de amigo imaginário. Se isto fosse com a Dakota Fannings, ela chamava o Depardieu de "novo namorado". Taras de miúdas...



6. I am Legend:
Só no mundo (pelo menos uma Manhattan só para ele) Will Smith entretém-se a interagir com manequins de montra, estrategicamente posicionados no seu videoclube preferido. São os que eu chamo de clientes fiéis...



5. The Shinning
Lloyd o Barman vai-lhe oferecendo uns copitos, para não só lhe moer a cabeça (All work and no play makes Jack a dull boy), mas também criar um ambiente propício para uma matança.



4. Beautiful Mind
A mente brilhante de Nash cria uns companheiros deveras 'melgas' e paranóicos. Entre um espião, um colega de curso e uma criança, venha o diabo e escolha quem será o mais inútil.



3. Fight Club:

SPOILER

Tyler Durden gosta da pancada mas o seu entretém é manipular os miolos do seu eu verdadeiro. Edward Norton acaba por perceber o quanto marrado ele é, quando se dá conta da dupla personalidade.



2. Donnie Darko:
O coelho gigante obriga-o a fazer coisas, anuncia-lhe o fim do mundo e que mais lhe enche a cabeça. Curiosamente, ele sabe que o coelho é pura imaginação sua.
Donnie: I made a new friend today.
Dr. Lilian Thurman: Real or imaginary?
Donnie: Imaginary.



1. Cast away:
A bola de vólei é bem real, mas o náufrago incute-lhe uma personalidade criada só para ele, desenvolve diálogos (esses bem irreais) para conseguir uma necessária companhia na ilha. Expressivo e bom ouvinte, foi a "Âncora" de Chuck Noland para manter a sua estabilidade mental. É inesquecível o momento em que os dois se perdem em alto mar.

24/03/09

Equação Aritmética

Zoom
(As aventuras de uma formação de jovens com superpoderes)
+
The Incredibles
(As aventuras de uma família com superpoderes)


=
SKY HIGH
(As aventuras de uma família numa escola para jovens com superpoderes)

19/03/09

TAKE 13

Não é o fim do mundo... Mas a Take de Março lá saiu.
(Quem viu Watchmen percebe esta minha intenção de brincar aos holocaustos nucleares)



Vá, vá, ide lá ler a revista antes que o contador da bomba chegue ao zero...
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
...

Mais uma à la Schwarzie...

Mais um filme de Schwarzenegger tornado realidade. Após JUNIOR, desta vez é o ERASER.



Frank Ahearn tem como actividade fazer "desaparecer pessoas". É considerado o maior especialista em ajudar alguém a fugir sem deixar rasto. Os homens fogem por questões económicas, as mulhers desaparecem para escaparem aos "ex".
Na Sábado desta semana.

Para mais informações...

17/03/09

Copy/Paste

<<Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma...>> LAVOISIER


Duplas de comédia
Um redondinho, o outro escanzelado.
Altos e baixos, gordos e magros, fazem sempre duplas inesquecíveis.
Mas o seu maior trunfo é o da comédia. Os opostos unidos para umas boas gargalhadas...

Bucha & Estica
Os clássicos do Preto&branco, herdeiros de Buster Keaton e Charlie Chaplin.




Bud Spencer & Terence Hill
Aos murros e chapadas, o eterno "Trinitá" e "Banana Joe" complementam-se os dois nas mais loucas aventuras.




Astérix & Obélix
Irredutíveis gauleses com os seus bigodinhos, apreciadores de javalis, um inabalável amor por romanos e uma terrível poção mágica (tu não, Obélix!) faz da dupla da banda desenhada saltar para as telas.




R2D2 & C3-PO
Os andróides mais famosos do mundo, entre confusões do multilingue C3po e os corajosos actos por parte de R2, fornecem os momentos mais cómicos da saga Star Wars.




Timon & Pumba

Dois animais hilariantes, um javali e um suricata que se tornam nos melhores amigos do Rei Leão. Entre nojeiras, insectos e cantigas, as gargalhadas não faltam certamente.

14/03/09

Surpresas criativas - parte 3

Há tempos (anos...) tinha dedicado uma lista às películas curiosamente criativas, e diferentes que descobria na altura. Seguiu-se logo de outra lista mais experimental, artística mas igualmente surpreendente.
Hoje, meus amigos, a trilogia completa-se: A terceira parte das "surpresas criativas" chega hoje ao Brain-Mixer.

Koyaanisqatsi (1982)
"Life out of balance", é com esta frase que este documentário faz ecoar pelas memórias do cinema. Sim, é um documentário. Não é isso que lhe vai retirar o crédito de ser uma das experiências cinematográficas mais hipnóticas e esplendorosas que há memória. Resumindo, é uma junção de imagens e sons numa película, de um modo mágico e aterrador. É a mente humana e a transformação que a sociedade zombie está a tomar aos poucos. Realizado em 1983 por Godfrey Reggio, tem a banda sonora a cargo do génio Phillip Glass. O conjunto toma absoluto poder com a inclusão de uma banda sonora de antologia. Phillip Glass criou um verdadeiro ser que respira com as imagens.Visionamento obrigatório para os 'cinéfilos alternativos' e que se converteu numa trilogia: Powaqqatsi(1988) e Naqoyqatsi (2002) mas estes dois não têm o mesmo fulgor do original. Estes filmes são produzidos e apoiados por grandes cineastas de Hollywood, como Francis Ford Coppola no primeiro, novamente FFC em conjunto com George Lucas no segundo e Steven Soderbergh no último. Sem narração, sem explicações, apenas som e imagem. Para ver e ouvir. Fica à disposição do espectador analisar e reflectir sobre o filme.
(Chronos e Baraka seguiram o mesmo conceito mas sem a mesma importância artística)



Gerry (2002)
Dois homens. 1 deserto. Diálogos. Monólogos. Uma caminhada. Um destino. Os paralelismos com o teatro e ensaio leva este filme para um patamar além do cinema indie. Torna-se um filme experimental, estranho e de difícil aceitação do grande público. Não aconselhável a amantes de blockbusters. Eu estou lá incluído...



Renaissance (2006)
Sin City abriu caminho, os franceses aproveitaram a ideia. Parte filme, parte BD, esta animação liberta-se do tradicionalismo artístico (quer seja 2D ou 3D). O ambiente contrastante de luz e sombra, formas e vazios, preto e branco, resulta de uma nova visão cinematográfica. Desde Branca de Neve de Walt Disney a Wall-E de 2008, a animação renova-se a cada criação original.



Zidane - Um retrato do século XXI (2006)
A meio caminho entre o documentário desportivo e a arte conceptual, "Zidane" consiste no acompanhamento de uma partida de futebol por inteiro (Real Madrid vs. Villareal, 23 Abril 2005). A extraordinária diferença entre um mero jogo futebolístico e esta obra é a total perspectiva das câmaras focadas absolutamente num mesmo ponto: O jogador Zinédine Zidane. 17 câmaras de alta definição seguem o jogador durante 90 minutos, com uma duração mais curta no "filme" devido à sua expulsão no final do jogo. Enquanto está em campo, as suas expressões, pulsações, esforços e garra de jogar são captadas pelas "BigBrotherianas" câmaras.



Grindhouse (2007)
Recuperando a temática de certos filmes dos anos 70', a experiência era duplicar o entretenimento. Dobrar as quantidades de gore e acção. Repartir a sessão em duas. Com Planet Terror e Death Proof, numa sessão dupla à moda antiga, servida por dois dos mais conceituados cineastas de culto. O experimentalismo renovador ultrapassa-se com os trailers falsos incluídos no meio das duas obras. Pena mesmo a iniciativa não ter resultado nos EUA, de forma a que no resto do mundo os dois filmes fossem lançados separadamente.
(E talvez mais tarde falaremos de um filme apenas com trailers falsos, que Eli Roth anda a preparar, graças à sua participação neste projecto)



Fantasia (1940)
A animação por capítulos. o filme-mosaico que se transforma pelas mãos de diversas histórias e artistas diferentes. Quer seja sobre a vida na grande cidade ou um lirismo visual e até mesmo com bailado. Fantasia foi uma obra de arte que se regenerou em 2000, com a inclusão de alguns novos segmentos.
As narrativas múltiplas foram aproveitadas por muitos outros filmes. Entre estes, que nos leva a...



Quatro quartos (1995)
Um personagem para quatro histórias. Quatro histórias para quatro realizadores. Com um empregado de hotel interpretado por Tim Roth, os cineastas servem-se das suas aventuras entre cada quarto para narrar as suas obras. Em cada quarto, um capítulo. Quase como pequenas curtas-metragens interligadas por este estranho e azarado personagem. Robert Rodriguez e Quentin Tarantino foram dois dos que participaram no filme.



11'09''01 - September 11 (2002)
Outro filme-mosaico (ou conjunto de curtas-metragens), que conta os efeitos do ataque terrorista de 11 de Setembro. Contado por diferentes pontos de vista em redor do mundo inteiro, é uma visão global do acontecimento que mudou a Aldeia Global. Desde os (inevátáveis) Estados Unidos, passando pelo Japão, Israel, Europa, México, etc.
A duração da obra é também ela curiosa: Onze curtas de 11 minutos, 9 segundos e 1 frame cada.

11/03/09

CINEPÉDIA - Rashomôn



Rashomon
O efeito Rashomon parte do princípio de que um acontecimento pode ser observado e explicado de modos tão díspares por diversos indivíduos. Os depoimentos das múltiplas testemunhas tornam-se substancialmente diferentes, embora credíveis, dependendo do contexto em que se inserem no evento. Devido à diferente percepção de cada um dos personagens em diversos modos e locais de presença, a subjectividade acaba por se perder ao ponto de alterar elementos-chave e detalhes, ao presenciar esse preciso momento.


A expressão nasceu com o filme homónimo de Akira Kurosawa, Rashômon, sobre um crime (violação a homicídio) contado por quatro testemunhas diferentes. Cada uma delas com o seu ponto de vista, tenta descobrir-se quem diz a verdade. Mas a dificuldade ou mesmo a impossibilidade de obter a verdade incontestável devido a contradições desses testemunhos acaba por desenvolver uma narrativa complexa, densa e labiríntica. A obra-prima do cineasta japonês introduziu este título de filme no vocabulário cinematográfico. Acabou por ver um remake americano ser realizado em 1964 com o título de The Outrage.


Em 1941, Citizen Kane tinha já pretendido usar uma dessas formas de contar a sua história. A de um magnata da imprensa que após a sua morte, se cria uma investigação para melhor conhecer a sua vida. Os diversos depoimentos das pessoas ligadas pessoalmente a Charles Foster Kane construíram o filme por meios de ideias gerais do forro íntimo de uma vida inteira. Orson Welles não tocaria no ponto exemplar de Rashômon, o de um só momento idêntico a ser analisado. Foi a genialidade do argumento japonês, com as suas diversas camadas de interesses individuais e encobertos por jogos psicológicos que criou tal culto. O tema é tão revolucionário quanto o método com que é abordado. Nos anos 50 este tipo de enredo era invulgar e levou a que o filme se elevasse acima de outros demais. Este método não passou ignorado no campo da psicologia e também deu o seu nome a situações reais desse género. Quando uma posição e relação pessoal estejam de certo modo ligadas ao acontecimento, isso vai determinar como a pessoa o irá identificar. A complexidade da percepção de cada interveniente cria um conflito de argumentos. Cria também um jogo do gato e do rato, transportado por cada uma das bocas que conta o sucedido. Este confronto é usualmente transposto para ambientes como o thriller, o drama militar ou o policial.

Grandes exemplos desse género são Under Suspiction e Hero. O primeiro gira em volta de um interrogatório que acaba por adensar demasiado na vida íntima dos suspeitos. As perguntas feitas aos interrogados tentam dar alguma luz à resolução de um crime de violação. O filme chinês de Yimou Zhang é largamente comparado com o filme de Kurosawa. É contada a história de um guerreiro que matou três homens até chegar ao Rei da China Feudal, onde este lhe pede que conte todo esse feito. Mas o Rei nota algumas falhas no relato…


É com enredos manipulatórios que este tipo de filmes se vai desenrolando. A falta de elementos-chave dificulta a resolução do caso. Com mentiras e suposições enganosas à mistura, a suspeita está omnipresente. Outro exemplo mais recente é Basic, de John McTiernan: Uma missão militar que correu mal acaba num gigantesco novelo difícil de se lhe ver a ponta final. O enredo envolve-se por entre numerosas surpresas e acaba no inevitável twist em filmes deste género.

Afinal de contas, é isto que torna uma história interessante. Outro dos casos ambientados em mundos militares é Courage Under Fire, de Edward Zwick. Outra situação que correu mal em a investigação que surge daí é preponderante a perspectiva de cada soldado envolvido. Mas tal como em todos os thrillers, há degraus de verdades. A cada degrau, a cada camada revelam-se mais mentiras e contradições. O uso de flashbacks é evidentemente obrigatório (todos eles com pontos de vista diferentes), o que torna um puzzle visual difícil de reunir para o espectador absorvido.

O último exemplo e o mais flagrante uso da técnica é Vantage Point. Há uma tentativa de assassinato ao Presidente dos EUA seguida por 8 estranhos, cada um deles com um ponto de vista diferente. No meio de uma multidão as suas perspectivas dos 15 minutos antes e depois do atentado, acabam por se ligar e colidir umas com as outras. Apenas no final se constrói todo o puzzle conspirativo deste atentado.


Para outros visionamentos sobre este tópico aconselham-se diversas obras como A Very Long Engagement, Hoodwinked, Memento e JFK. Há a persuasão verbal ao interrogador para fazer crer que está a dizer a verdade levando-o a acreditar no suspeito, o comportamento que quer induzir em erro alguém de que mente (ou não), as tentativas de fintar uma pergunta traiçoeira e tal como os diálogos inteligentes, são o ponto fulcral de qualquer tipo de filme que tente assumir este género. Um jogo psicológico mental que acaba frequentemente numa conclusão inesperada.

Artigo publicado na TAKE nº1, Março 2008

10/03/09

Feliz Natal!

O Natal já passou, mas como este vídeo se integra na perfeição nessa quadra festiva... Divirtam-se!

03/03/09

LOST 6ª temporada



Quem me lê desde há muito percebe que a série LOST é uma das minhas predilecções, com regulares artigos e comentários no blog. É a par de Twin Peaks, a única série BRAIN-TV que posso incluir na lista de "quebra-cabeças".

Nesta 5ª temporada a complexidade atinge o Zénith. As revelações de enigmas, a inclusão de mais mistérios e a excelente manipulação temporal do fenómeno da Ilha dá que pensar onde a série poderá terminar.

A 6ª temporada será a última (segundo os produtores) e dá-me a crer que no final serão atadas todas as pontas soltas que entretanto surgiram. Quem segue a série sabe do que estou a falar e estará a par de toda a confusa informação que vamos obtendo episódio por episódio. (Quem não segue a série, do que é que está à espera??)

O final poderá ser algo tão simples como dúbio: Estará aquele destino já escrito desde o primeiro episódio? Ficaria mais feliz com um final ao jeito de 12 Macacos. Era o fechar de um círculo de uma série tão complexa como humana.

Ou pelo contrário. É a preocupação que me deixa apreensivo:
Por alturas da febre de Matrix, os rumores criados na internet de que haveria uma reviravolta no final de Revolutions não se registou (pelo menos à primeira vista). Numa altura em que se criaram boatos de todas as maneiras: “Toda a história é um sonho e Neo - aliás Mr. Anderson - acorda em frente ao PC”; ou “A realidade onde se insere Zion é também ela uma outra Matrix”; etc, apenas fez com que as previsões de haver um enigma delicioso no final se tornassem tão fortes que acabaram por destruir a mitologia da saga. Assim, no final agarrou-se muito às narrativas clássicas do final feliz e previsível. Pois afinal de contas não fica muito por dizer: Quem ganhou?

É este o verdadeiro enigma de Lost actualmente: Quem vai ganhar?
Os Losties já voltaram ao Continente e já regressaram de novo à Ilha, portanto o objectivo será outro. Saber quem é o verdadeiro vilão da série. Ben ou Widmore (ou ambos).
Entretanto, a conclusão de tal magnífica série fica ao cargo dos génios que foram descosendo este novelo infinito de perguntas.
Espero ser surpreendido.