11/08/10

E ainda penso no final de INCEPTION

Para quem ainda não viu o filme, isto não é para vocês...
Para os outros afortunados, quero discutir levemente a minha opinião sobre o plano final:
Uma cebola com camadas de não-realidade que no final nos deixa (bastante) na dúvida. Quem quiser saber as pistas e teorias, há por aí muito para ler - tal como o exaustivo guia que vos apresentei há duas semanas.

INCEPTION, é o Total Recall desta década.
Como o Total Recall, onde Douglas Quaid era perseguido por ter ido à Rekall implantar memórias de Marte, tem dúvidas de que se é tudo um sonho, uma memória implantada no seu cérebro (tal como ele pagou para ter) ou se afinal ele sempre lá chegou a ir. "Será isto real?" pergunta-se ele à mulher dos seus sonhos depois de salvar o mundo (o outro, Marte) "Então beija-me antes que acordes" responde-lhe ela. Beijam-se mesmo antes de acabar o filme. Dúvidas? Ficaram para sempre...

Outro exemplo que me veio à cabeça aquando o final de Inception foi o de Alice de Marco Martins. Após anos de procura incessante pela filha desaparecida, o personagem de Nuno Lopes decide avançar com a vida e largar de vez a obsessão, mesmo após estar cara a cara com a verdadeira filha. A negação e a vontade de seguir em frente fê-lo "esquecer" que poderia ser mesmo ela.
E em Inception? Ele roda o pião mas ao ver os seus filhos, ele larga qualquer vontade de saber se está a sonhar ou não, pois a sua felicidade está ali mesmo em frente. É quando se tem de largar de certas vontades, a da realidade ou outra...

5 comentários:

Peter Gunn disse...

Gostei muito do facto de te teres lembrado do final da Alice... realmente aqueles minutos finais custam a valer...

De resto, eu quero acreditar que no Inception tudo acabou bem ;)

Cumprimentos

Rui Francisco Pereira disse...

Eu ainda penso em todo o filme. Nunca senti nada assim em Cinema.

Quando ao final, a mensagem que prentende passar é que a realidade deve ser aceite como algo que nos dê a felicidade e a paz de espírito.

Cobb consegue-as no final, e acaba por se desinteressar em algo pelo qual era totalmente viciado: verificar se o que estava a viver era real.

Ainda assim, adoro este género de finais em aberto e costumo optar sempre pela opção menos optimista.
Por isso mesmo, e sem qualquer fundamento, quero acreditar que tudo não passou de um sonho e que Cobb não conseguiu sair do Limbo.

Já ágora Edgar, deixo-te duas questões a ver se me sabes responder:
(SPOILER ALERT)
Porque é que a Ariadne e o Fischer usaram o Kick para sair do Limbo, e o Cobb e o Saito se mataram?
-E porque razão o Cobb não estava envelhecido, e o Saito sim?

De momento, são estas as duas questões que agora mais me "dão comichão" ;)

Abraço!

Matches disse...

Gostei do fime, mas como todo filme sobre sonhos ele é bem confuso.
Sai do cinema sem entender muita coisa do filme, as explicações são rápidas e você tem que estar atento a tudo.
O final foi frustante para mim, pois não entendi. Frustanete, mas não ruim.

brain-mixer disse...

Peter, eu acredito que ele chegou `a realidade, apesar de Nolan nos querer deixar na dúvida, o sacana :D

Jackie, nem todas as respostas são esclarecidas, no tal guia tem algumas explicações. Eu não assimilei tudo mas há uma resposta que te posso dar: Cobb e Saito mataram-se com a pistola para sair do limbo. ´E a única maneira de sair de lá, ´e ter consciência de que estão a sonhar (foi o que aconteceu com a mulher de Cobb). E Cobb não envelheceu tanto como Saito porque lembra-te, cada sonho tem um nível de demora cada vez maior, e Saito morreu no nível 1 quando foi atingido pelo tiro, o da cidade chuvosa. Logo, para ele o tempo demorou ainda mais a passar…
Restantes dúvidas, talvez futuramente se consiga acabar esse puzzle :P
Cumps

Matches, o Guia que proponho no post abaixo ´e o mais indicado para esclarecer essas dúvidas ;)
Abraço

joemorales disse...

Não me matem logo, mas sinceramente, o Inception está a ser muito sobrevalorizado. Nolan trata a audiência como se fossem todos putos americanos de 16 anos. Adorei todo o visual que o filme ofereceu, fotografia, efeitos, enfim, tudo. Mas era necessário explicar passo a passo tudo o que ia acontecendo? É um bom filme, sim, mas não o filme da década. (tenham calma, é só a minha opinião)