04/11/07

Mares Ocultos

"Filmes Portugueses JAMAIS realizados"
Aqui visada a ausência para valorizar projectos ambiciosos no cinema português. Uma análise de como poderia ser apoiado tanto pela visão espectacularmente exagerada do realizador, como na nossa realidade acaba por ser cepticamente avaliada como improduzível em géneros nunca explorados no nosso cinema. Apoiando-se bastante em géneros históricos, épicos e grandes orçamentos, filmes nunca feitos, nunca produzidos e até talvez mesmo delírios que nunca ninguém se atreveu levar avante... Transformando o nosso "cinema" numa espécie de blockbuster tuga, produto comercial e de entertenimento.




Storyline
Século XV, o auge do Império Português além fronteiras, onde dominava os mares desconhecidos e com grandes peripécias se ia desbravando um novo mapa cartográfico. E quando a rivalidade com Espanha vai tomando dimensões políticas, a corrida à conquista ultramarina revela-se tão perigosamente impossível para os navegadores que tentam passar para o "outro lado", a Terra Prometida das Índias e da fortuna.


Orçamento
Uma grande produção com naus em tamanho real, vestuário da época e um grande leque de actores não podia ficar barato... 40$ milhões de euros foi o preço a pagar por este colosso. Obrigatoriamente co-produzido entre europeus, com Portugal e Espanha a deterem por igual parte do "bolo". Os fundos estatais destinados à ficção cinematográfica choveram para esta película, apoiada pelo Ministério da Cultura e elogiada pelo próprio Presidente da República que fez um apelo ao Governo em ajudar a produção.


Recepção do Público (Boxoffice)
Descobrimentos portugueses. Um enorme tema por explorar no nosso contexto histórico e cultural, com um enorme marketing a empurrá-lo para o topo das tabelas, fez com que chegasse a longo prazo aos 660 mil espectadores. Distribuído para toda a Europa, relativo sucesso também em Espanha. Nos EUA passou completamente despercebido, talvez por nem sequer se falar num certo Cristóvão Colombo...


Recepção da crítica

Falado em português e espanhol, uma mais-valia para uma forte internacionalização. Foi o que defenderam os críticos, após o sucesso em terras lusas. Elogiaram o rigor histórico, a entrega total por parte dos actores a personagens complexas, a dinâmica da acção fazendo esquecer o cliché dos "filmes tugas monótonos".
Nota 20 no exame final.


Momento do filme
“Para além da linha do horizonte se erguiam ondas gigantescas de água a ferver...” O momento onírico sonhado por um marinheiro assustado cria a cena de antologia com um Adamastor em fúria, no fim-do-mundo imaginado pelas mentes ingénuas de antigamente. Uma óptima deixa para um acordar repentino antes das naus tentarem passar o Cabo das Tormentas, com o suposto "Adamastor" em forma de penhasco acabar por afundar o navio.

3 comentários:

Ricardo disse...

Acho que já há dois filmes sobre a investida nos mares. Um extremamente politico sobre D. João II e outro com o seu Sucessor D. Manuel I, em cujo reinado se chegou À India. Do primeiro tenho quase a certeza que existe. De qualquer forma, acho que se é para se falar dos descobrimentos, dois filmes eu apostaria. Um decente sobre D. João II, o verdadeiro HOMEM (nada melhor que o ver matar um primo da rainha com as próprias mãos... aliás o próprio "Manuel" por pouco não ia desta para melhor também) e outro sobre Bartolomeu Dias, o primeiro homem a dobrar o cabo das tormentas e que morreu no mesmo sitio que passou na viagem para a índia com Vasco da Gama.

Sam disse...

Seria um grande (em todos os aspectos) filme, disso não tenho dúvidas.

Mas mais facilmente farão uma película sobre a "vida amorosa de um marinheiro na época dos Descobrimentos" do que propriamente um filme sobre um evento histórico.

Bela iniciativa da tua parte, anseio por ver a restante "filmografia".

Cumps. cinéfilos.

brain-mixer disse...

Ricardo, não estou a ver de que filmes falas... Só me recordo de repente do "Quem és tu?" e o "Quinto Império - Ontem Como Hoje", ambos demasiado filosófico-políticos para um espectador comum assistir. Mas este pretendia-se "Blockbuster" na verdadeira ascensão da palavra. E logo este ano também Manoel de Oliveira dá-nos também um filme sobre Colombo... Veremos.

Sam, com os nossos orçamentos teríamos sorte se fizessem à moda da RTP (sem lhes tirar o mérito reconhecido) ao fazer uma mini-série à la Bocage, Processo dos Távoras, Ferreirinha... Um marinheiro que nunca chega a sair do cais!