10/05/12

Rubber (2010)

Pode parecer um daqueles “WTF movies”, mas a verdade é que o filme Rubber é mesmo sobre um pneu assassino.

Mas não só.

Para um filme de co-produção franco-americana, o realizador Quentin Dupieux quis falar mais para o outro lado da questão: Porque é que este filme é tão non-sense? Por razão alguma…
É essa a premissa que o filme nos revela logo desde o início. A bizarrice e narrativa tão surreal para ser retratada num “feature film” cai de chapão para o espectador inadvertido.

É daqueles que ou se ama ou se odeia. Eu amei. Sempre à procura de obras que saiam do molde “académico”, eu não estava à espera de ver esta história extremamente metalinguista, sempre à procura de acções que mexam com o conforto do banal espectador que procura aqui um Slasher-movie (eu decidi vê-lo pensando nessa opção). Engano-me redondamente, ficando muito mais satisfeito com o rumo que o filme seguiu.


David Lynch pode estar a ser referenciado a toda a hora, mas não é nele em quem pensamos. Monty Python pode também ter tido uma menção no humor non-sense, mas não é o caso de nos revermos com os universos distintos de cada um dos filmes. Rubber, é algo para lá de Lynch ou Monty Python. Rubber não trata a sua narrativa como objectivo crucial, ela é relegada para o lado. O pneu nem sequer é o “personagem principal” (se é que posso dizer deste modo), ele é um “MacGuffin” para a mensagem de Dupieux.

Sem querer spoilar demasiado, as teorias do significado desta obra extravagante e bizarra variam de público para público. A mais consistente é a de querer demonstrar o declínio da qualidade do cinema nos formatos actuais dos estúdios e distribuidores modernos.




SPOILERS: Sublinhar para ler
Por exemplo, os “espectadores” no filme, claramente apresentados como a audiência dos dias de hoje no cinema, que são efectivamente mortos pelos “estúdios” (personificado pelo assistente consultor) ao serem envenenados com perús (turkeys, sinónimo nos EUA de flops e filmes falhados). A confirmação desta tresloucada teoria fica mais consistente quando no final, um grupo de pneus (representando os B-movies e filmes independentes no geral) seguem em direcção a Hollywood.

5 comentários:

Here Comes The Rain disse...

Ainda não tive coragem de ver isto. Chegará o dia.

ligadona disse...

Eu tinha visto o trailer disso e eu não acreditei! Oo Acho que não desce..rsrs
=1

JBM disse...

Eu já vi isso e achei do mais pretensioso que há. Podia ser tão bom se só se limitasse ao conceito nonsense. Mas não, ele quer mostrar que é um grande cineasta, recheado de inquietações filosóficas. Bah...

Andreia Mandim disse...

Tenho-o aqui há uns tempos para o ver. Vou mergulhar nele amanhã, obrigada pela ideia ;)

cumprimentos,
cinemaschallenge.blogspot.com

Andreia Mandim disse...

Tenho aqui há uns tempos para ver, o original e tudo :D...Sim, nestes tempos fica "bonito" dizer isto....
Pode ser que o veja esta semana.

cumprimentos,
cinemaschallenge.blogspot.com